
Eu me sinto brincando de cabo de guerra: de um lado o meu pai, do outro a minha mãe. E o que sobra pra mim é a corda grossa e áspera. Não que eu me veja assim, mas é que ambos disputam minha atenção, meu afeto, como se eu fosse um objeto e não sentisse dor pelos puxões. Ambos me disputam pra provarem á si mesmos e um ao outro que são mais poderosos e estão mais certos. Mas ninguém está certo, afinal.
Não é como se eu não estivesse triste - eu estou -, nem como se eu não quisesse aquela família de volta. Mas eu entendo que acabou e que eu amo os dois da mesma forma. Quem não entende isso são eles. E depois a criança da casa sou eu.
Eu não disputo a atenção ou o carinho de nenhum dos dois. Porque eu já os tenho. E a quantidade de carinho e atenção que eu tenho já é o suficiente. Pra mim. Mas adultos nunca estão satisfeitos com nada, é impressionante.
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