
Já havia experimentado a sensação e, numa visão geral da coisa, não gostara nada. Era tudo muito confuso e requeria um tipo de entrega ao qual ela não se sentia pronta.
Em outras palavras, achava que amar era para os fortes.
Tentara, uma vez. Quando as coisas eram todas abertas e parecia certo - ela sentia que era certo. Só que aquele cor de rosa tomou tons de chocolate e de cinza, e de repente ela não tinha mais certeza. E acabou fazendo tudo o que não queria fazer: magoou alguém. Ela se importava demais com as pessoas e sabia disso - só não conseguia mudar esse fato.
Então resolveu desistir.
E aquelas coisas que confundem a gente estavam lá, mais uma vez tentando confundi-la.
Ao mesmo tempo em que não queria mais sentir, achava incrível a ideia de que alguém sentisse e ela compartilhasse o sentimento. Sim, era mesmo uma confusão só.
O problema era que todo mundo ao seu redor sentia. E quando todo mundo ao seu redor sente e você não, sentir parece uma necessidade, quase tão importante quanto respirar. E pode estar escondido nisso, não pode? O simples ato de respirar - ou a falta de respiração -, pode denunciar um sentimento. Não é?
Ela tentava se convencer que não.
Porque seria inusitado - e é improvável. Então porque diabos sua mente dizia que era possível?
Porque "ela pensava com o coração e sentia com o cérebro".
Resolveu parar de tentar não sentir. Só pra ter certeza - qualquer uma.

