segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

03.01.15




  Tem um nó na boca do meu estômago, instalado desde que ele apertou meu ombro. Porra, um aperto de ombro! Já fui menos suscetível á essas merdas. Ele ta diferente, mas provavelmente ainda é o mesmo. E tem esses insights bagunçando minha cabeça e me lembrando de vontades que não deveriam estar aqui. Acho que eles fazem sentido, já que fiquei feliz quando soube que ele estava solteiro outra vez. Mesmo as circunstâncias sendo outras, ainda devem existir resquícios daquela garota que queria ele pra si.
  Fico me lembrando de shows e festas e dos grandes deslocamentos aos quais ele foi submetido - de livre e espontânea vontade - só pra me ver. Não da pra não pensar que aquilo tudo tinha um motivo. Talvez eu só queira sentar com ele numa mesa de plástico vermelho da sorveteria e esclarecer o que a gente teve, porque foi tão louco que até hoje não sei. Só sei que não foi amor e não tenho certeza se em algum momento chegou perto disso. Mas tinha carinho e preocupação e naquela época só isso parecia suficiente; parecia fazer valer a pena. Talvez tenha valido, de fato.
  Mas acho que seria arriscado tentar ter uma conversa franca. Não falo por nós dois, mas talvez seja algo que mexa demais com a gente ou só comigo ou só com ele. Claro, sempre está presente a possibilidade de eu estar resolvendo a equação da forma mais difícil. Se essa conversa franca de sorveteria um dia existir, ele pode dar respostas para minhas perguntas tão simples quanto "Porque eu gostava" ou "Porque era bom". E talvez eu não tenha dado um jeito de ela acontecer ainda porque tenho medo de que ele acrescente á uma dessas respostas simples um "Mas o tempo já levou embora".
  O tempo sempre da um jeito de levar as coisas embora.
  Por favor, tempo, leve esse nó no meu estômago embora o mais rápido possível; ele já ficou tempo demais.


Em nome dos velhos tempos e da minha eterna companheira, a nostalgia.