segunda-feira, 14 de maio de 2012

Mas eu nunca vou saber como teria sido


Eu queria ter aproveitado mais o caminho longo e cheio de falhas que percorremos até a minha casa. Queria ter falado as verdades entaladas na minha garganta, mais ou menos na metade do caminho. Eu queria ter recebido seus lábios em minha testa mais vezes do que apenas poucas. Eu queria ter parado embaixo daquela árvore e ficado abraçada contigo mais tempo do que dez segundos.
Eu queria que aquela esquina se transformasse no meu quarto e que você me abraçasse forte e nunca mais me deixasse ir. Queria poder estender a noite para um manhã preguiçosa. Queria que você não tivesse que ir.
Eu queria seus dedos entre os meus outra vez. Queria a sensação de que pertencemos um ao outro de volta. Eu queria todo aquele cuidado de novo. Eu queria a sua mão na minha cintura ou no meu quadril; não importa, eu queria as suas mãos em mim. Eu queria a intensidade mais uma vez e a dor, que naquela única vez foi reconfortante.
Eu queria parar de olhar as fotos, porque elas me dão muita saudade. Eu queria não ter vontade de chorar toda vez que passo pela avenida de caminhos falhos ou escuto Holes Inside. Eu queria nunca ter chorado.
Mas se existisse uma forma de voltar no tempo, haveriam guerras sobre quem a possuiria.
Se existisse uma borracha que apagasse o passado, valeria mais que um diamante, então eu não poderia compra-la.
Se existisse um lápis que o reconstruísse, eu nos faria perfeitos, e vai ver essa coisa de gostar está escondida na imperfeição.
Por um lado tudo isso não existir não é ruim. É um método cruel para tentarmos aprender á lidar com nossos próprios problemas e escolhas.
Você quer tentar?

"Quero você nu na minha cama
ou com roupa mesmo
E nem precisa ser na cama
só precisa ser comigo."

Surgiu no sábado, mas só tomou forma no domingo á noite. Depois de viagens com paisagens monocromáticas e músicas deprimentes.
Deve ser porque "o dia" tá chegando.
Espero que ele me traga boas lembranças.

domingo, 6 de maio de 2012

All I Want


Para Natália Vasconcelos

Amigas que não sejam falsas. Relacionamentos que tenham um futuro. Alguém que esteja aqui se eu precisar que ouçam meu silêncio.
Que a vida pare de apresentar problemas e me mostre soluções. Que ela me dê mais motivos pra sorrir também, porque eles tem sido escassos.
Um coração extra pra aguentar toda a dor desse. De preferência reforçado, pra evitar os mesmos erros - porque eu sou meio masoquista.
Mais pessoas com a cabeça feita, porque ás vezes eu me sinto no Jardim de Infância.
Um fim de dia em que eu possa suspirar de cansaço e sorrir porque o dia foi bom.
Menas lições de moral; já aprendi o suficiente pelo resto do ano.
Alguém pra beijar a minha testa e sorrir com a alma quando olha pra mim - alguém que me dê motivos pra sorrir junto.
Pessoas que não forcem amizade - vai ser falso na puta que pariu.
Um fone de ouvido que dure.
Uma barra de chocolate Wonka.
Um anel de cobra.
Um sorriso só meu.
Um SMS.

"São só mais motivos pra chorar."

quarta-feira, 2 de maio de 2012

01 de Abril


"If it hurt this much, then it must be love..."

  Abri a geladeira pra pegar um pedaço de chocolate com amendoim e o telefone tocou. Seu nome piscava na tela, mas por pouco tempo, porque quando eu ia atender você desligou. Daí eu soube que você tinha chegado. Sorri, empurrando a porta de metal branca e tentando não parecer animada demais - embora eu realmente estivesse. Quando eu saí pela porta de madeira em direção ao quintal e depois ao portão, te vi através das grades do outro lado da rua, segurando o celular. Mordi o chocolate antes de sair.
  Você estava nervoso. Tinha medo que meu pai aparecesse e quisesse - imagine o absurdo! - esganar você. Mas ele não faria isso se aparecesse, porque eu o olharia e sorriria - e ele não esganaria o motivo da minha felicidade.Quando eu te abracei debaixo da árvore que um dia já foi bem maior, senti seu perfume, lembrei-me de sábado e quis te beijar. Mas não quis assustá-lo com uma de minhas atitudes impensadas. Reprimi minha vontade.
  Então iniciamos uma conversa paralela e eu só pensava na noite anterior (no caminho de mãos dadas, nos beijos na testa ocasionais e na despedida). Tentei continuar reprimindo minha vontade, mas não consegui por muito tempo, porque você me beijou e eu correspondi com o máximo de entusiasmo que me sobrara, já que você insistia em tirar meu fôlego.
  E aquela sensação gostosa estava lá na minha barriga outra vez, como nos outros sábados. Eu não tinha um nome pra aquilo - e chamar de borboletas é muito piegas -, então só chamei de "frio" (que pra mim é coisa boa, então tinha que ter á ver com você). E a sensação continuou lá quando você apertou minha cintura, e depois quando deixou um beijo solitário em meu pescoço. E quando eu te olhava e sorria, o "frio" passava por todo o meu corpo, da ponta do pé, pela espinha até o último fio de cabelo.
  E eu (nós) sabíamos que era errado, mas parecia tão certo! Por algumas horas você seria exclusivamente meu, sem olhares de censura ou vergonha. Sem culpa. E eu já era sua, só não tinha consciência disso. Mas é tudo bem maior do que "eu e você". Na verdade, é tudo imensamente maior. A gente se importa demais com os sentimentos alheios, e segue nesse triângulo amoroso proibido com o máximo de cautela, pra que ninguém saia machucado.
  Mas machucada eu já estou.
  E tudo estava bem enquanto eu estava em seus braços. Mas aí meu relógio de pulso bateu 23h e você sussurrou "Tá tarde", como se não quisesse realmente ir embora, mas tivesse que ir (ou pode ser uma maquiagem básica da minha mente em cima das lembranças; de qualquer jeito, prefiro acreditar que foi assim mesmo). E eu tentei te convencer á ficar, mas só consegui adiar sua partida por mais uns vinte minutos. Você iria embora no dia seguinte, de manhã. Então te acompanhei até a esquina e você se foi - me deixando pra trás sem a mínima perspectiva de que te veria de novo tão cedo.
  Tento descobrir se é certo esquecer esse Primeiro de Abril desde então.

"Deixá-lo ir foi, de longe, a coisa mais dolorosa que fiz"

Pra J.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Reflexos De Um Sábado Á Noite





Eu: on line uma hora dessas?
Melhor amiga: muitas coisas pra resolver!
Eu: tudo o que tenho pra resolver está dentro de mim.
Melhor amiga: sei bem... Tá melhor? Pensou mais?
Eu: pensei. Mas todo pensamento volta pro mesmo ponto de partida: a namorada no colo dele e o olhar que significou tudo e nada ao mesmo tempo.
Melhor amiga: put'z, queria tanto poder ajudar...
Eu: eu também queria poder ser ajudada. Mas a única coisa que me ajudaria agora seria uma explicação, aparentemente ele não está com vontade de dá-la pra mim.
Melhor amiga: pois é, e sem elas você vai continuar pensando e pensando, infelizmente...
Eu: o problema não é ficar pensando o tempo inteiro nisso - porque meio que dá pra levar, por enquanto -, o problema é, como sempre foi e tem sido, essa porra de distância que dificulta ainda mais as coisas.
Melhor amiga: caralho, a distâcia, sempre ela! Ela que fode com todas as coisas!
Eu: fode MUITO! Porra, ele tinha que morar tão longe?! Não podia morar logo ali na outra rua, perto dos primos, perto de mim?
Melhor amiga: sempre assim, sempre do mesmo jeito!
Eu: nem me fala! E as coisas que a gente conversou na merda do show do dia 31 naquela MERDA daquele sambódromo estão se concretizando. Porque eu estou me envolvendo mesmo não querendo (e nem podendo!) e ele não, porque ainda desfila por aí com a namorada.
Melhor amiga: é o sambódromo trazendo alegrias e tristezas ao mesmo tempo...
Eu: e eu queria poder dizer o mesmo que Matheus: "O que acontece no sambódromo, fica no sambódromo". Concordo que algumas coisas queria deixar abandonadas por lá, mas algumas parecem essenciais que eu lembre.
Melhor amiga: e são. Porque essas são "coisas" que não se dá pra esquecer... Nem em uma semana ou um mês.
Eu: falando em "um mês", hoje faz um mês desde a última vez que a gente ficou.
Melhor amiga: ai meu Deus, ela conta! Liga não, eu também conto!
Eu: eu não conto exatamente... Na verdade, foi você quem me lembrou! Mas é que esse tipo de coisa fica guardado, a gente simplismente não esquece.
Melhor amiga: isso! E quando aparece algo - ou alguém - falando sobre, a gente lembra imediatamente.
Eu: tá foda de aguentar, Gabi.
Melhor amiga: sempre é foda de aguentar! Mas de duas uma: ou você arrisca de colocar tudo o que você sente pra fora ou você guarda isso o quanto puder. Sinceramente, eu fico com a segunda opção!
Eu: agora que você me deu o benefício da dúvida, colocar pra fora parece viável, mas humilhante.
Melhor amiga: e é! Uma vez - uma única vez - eu fiz isso. Me arrependo até hoje!
Eu: nunca fui de demonstrar sentimentos - na verdade, acho que nunca cheguei realmente á sentir -, mas agora que eu chorei, posso tentar ignorar, mas sinto que aqui dentro é de verdade.
Melhor amiga: a gente sempre tenta, mas é impossível de segurar... Mas fazer o quê se nem tudo o que a gente deseja é fácil?
Eu: vou dar uma de rainha do drama agora, mas Gabi, pra mim nunca parece ser fácil.
Melhor amiga: Te entendo. Uma hora passa...

"O que obviamente não presta sempre me interessou muito."

Texto logicamente adaptado. É que eu queria muito colocar algo sobre isso aqui, e essa conversa civilizada com Gabi Manhães me pareceu perfeita. Tá maquiado - com certeza -, mas se você prestou atenção, percebeu que tem muita gente implicada nessa história que pode se complicar. As coisas não se tornam mais fáceis depois de escritas, se tornam permanentes. Daí minha cautela. Mas se eu e ela sabemos quem é, tá de bom tamanho, é isso que importa. Á você que leu, se se questionou, me pergunta.