Eu queria te confrontar.
Perguntar o porque da sua demora e o porque da rapidez em ter ido embora. O porque de tanta intensidade se logo depois viria o completo descaso.
Eu te colocaria sentado no sofá da sua sala e contaria meus planos para aquela quarta-feira que nunca veio.
Então minha mãe me acordaria porque tudo isso não poderia passar disso mesmo, um sonho.Eu te encontraria "na metade do caminho" - em frente ao Pet Shop, que no tal horário do encontro já estaria fechado. Você me perguntaria sobre "o homem da minha vida" e eu responderia que meu sobrinho estava no berço, dormindo, e que, naquele momento, você era o homem da minha vida.
Então você ficaria sem graça e mudaria de assunto até chegarmos a entrada do condomínio, onde você faria uma piada sobre ja ter nos apresentado - e não teria a menor graça, mas eu riria assim mesmo. Andaríamos pelo "labirinto" até o seu prédio e você me perguntaria se eu me lembrava qual era. Eu pararia na frente do seu apartamento e você me abraçaria de lado enquanto empurrava a porta que mais uma vez deixara aberta, sussurrando um "menina esperta".
A luz da sala estaria acesa, e eu daria um jeito de te convencer a não ir pro quarto, eu te convenceria a sentar comigo no sofá cor de sorvete de creme porque eu queria te mostrar uma coisa. Você pensaria besteira e ganharia um tapa. Mas me puxaria pro seu colo enquanto eu encaixava os fones de ouvido no celular.
"Divide comigo. Quero que você ouça essa música porque acho que tem tudo á ver com o que rolou domingo" - eu falaria enquanto colocava "Vem Cá" pra tocar. E ficaríamos daquele jeito, aninhados um no outro, seus braços me apertando, minha cabeça encaixada embaixo do seu queixo, até a música acabar. E você sorriria pra mim quando acabasse concordando que a música era uma tradução literal da gente. Beijaria a ponta do meu nariz e de repente decidiria que ficaríamos ali na sala mesmo, assistindo The Big Bang Theory e tomando chocolate quente.
