Ela estava encolhida num canto, com o rosto entre as mãos e os joelhos encolhidos. Ninguém falava nada. Eu queria poder dizer que ia ficar tudo bem e que ela não precisava ficar assim; mas eu não conseguia. Eu sabia que seria o último dia e que talvez, em 2010, ela não estivesse mais lá. Nem ela, nem Jamenson nem um monte de gente especial pra mim. E ela chorava porque, embora ainda faltasse um dia, ela já sabia que sentiria saudades de tudo o que fez, durante um ano, e que agora, não vai mais poder fazer.
E todo mundo sentiu saudade dos 300 dias que passamos juntos, levando bronca e construindo um tipo de amizade que é difícil de quebrar. O tipo de amizade que se carrega a vida inteira.
Eu tentei entender nos dias seguintes o que saudade significava pra mim. Quebrei a cabeça, e mesmo assim, não descobri. É difícil você entender o que é saudade quando esse sentimento se encontra de uma forma tão intensa dentro de você. Eu sinto saudade de quando era criança e não fazia nada (embora hoje em dia, eu continue não fazendo nada...), sinto falta de pessoas importantes pra mim que já não estão mais aqui. Sinto saudade da tanta coisa, que foi difícil achar a graça em sentir saudades.
E mesmo que a maioria de nós fossem se ver esse ano, continuamos num silêncio completo esperando a reação de Flavinha. Esperando ela parar de olhar pro nada e entender que, saudade, por mais que doa, é o tipo de coisa que todo mundo vai viver.
Mas eu percebi que, a saudade só existe por um único propósito: não te deixa esquecer uma pessoa/coisa/momento ou afins. Sem a saudade a pessoa/coisa/momento se torna só uma lembrança vaga que você acaba esquecendo. A saudade, serve pra te fazer lembrar que nem toda as coisas/pessoas/momentos precisam ser esquecidos. Serve pra te fazer sorrir, e não chorar.
Eu não gosto de sentir saudade. Me deixa cabisbaixa. Mas eu gostei de ter sentido saudades naquele dia. Lembrei de tudo o que aconteceu e sorri, porque esse ano seria tudo diferente. E eu não gostaria que fosse igual.
