"Porque talvez a minha vontade seja mesmo essa" - as mãos de dedos compridos e finos com unhas roídas se escondiam nos bolsos da calça jeans; os olhos miravam uma barraquinha de maçãs do amor bem próxima, mas era só um pretexto porque ela estava na mesma direção. Mas ao perceber que com sua resposta firme e sincera ele ganhara sua atenção, desviou correndo enquanto sentia o peso do olhar dela sobre seus ombros. De repente sentiu-se constrangido, como se tivesse revelado suas vontades á um estranho qualquer na rua. Mas se a envolvia afinal de contas, não lhe deveria ser algo tão secreto assim, desse jeito não lhe parecia certo.
Uma mecha solta do cabelo castanho cismava em lhe atrapalhar a visão. Vendo que ela dava sinais de que se irritaria logo, logo com aquilo, ele tirou a mão direita do bolso e levou a mecha rebelde para trás da orelha que tinha dois lacinhos dourados nos lóbulos. As bochechas, antes pálidas pelo forte vento, agora adquiriam um rosado similar ao de um blush; em outra palavras, ela estava irresistivelmente fofa.
Demorou mais do que ele julgou normal pra que ela reagisse de alguma forma. Só estava o seu corpo lá, mirando nada em especial e caminhando na direção de um banco de concreto. Sua alma, mente ou qualquer coisa do tipo não pareciam estar ali. Estavam perdidas em algum lugar dentro dela. Ele sentou, tirando as mãos dos bolsos e esfregando uma na outra. "Como ele sempre faz", ela recobrou a lembrança dos tempos alegres quando eles dividiam um toco de madeira ao redor da fogueira na fazendo da família. Parou na frente dele olhando o rosto ansioso e curvando os lábios discretamente com isso. Se ele se sentia nervoso, devia experimentar estar dentro dela.
Sem que ela percebesse, sem que a ideia sequer passasse pela sua cabeça, os braços fortes e com veias saltadas rodearam a cintura marcada pelo cinto marrom e rosa trançado, a trazendo pra ele. Entre a surpresa e a aproximação misturadas á ansiedade, ela tropeçou nos próprios pés, fazendo com que ele firmasse o aperto e a proximidade se tornasse confortável. Mesmo sentado, a cabeça dele batia na altura da dela e a respiração dos dois se misturava nos centímetros que os separavam. Os olhos dele prendiam a atenção dos dela que estavam marcados por uma linha fina e escura acima dos cílios inferiores. A mecha teimosa voltou ao seu rosto.
"Vai me permitir finalmente fazer isso?" - enquanto as palavras doces tocavam os lábios rosados fazendo com que ela os entreabrisse, a mesma mão que afastou a mesma mecha teimosa se postou em sua nuca, aguardando uma resposta. Sua expressão demonstrava a certeza de que ela diria sim, seu íntimo queria muito que ela dissesse sim. E a resposta definitiva chegou de uma forma muda: pelos olhos escuros e com cílios curvados. Ela sorriu por eles, sorrindo com a alma, desejando mais do que tudo que se aquilo fosse um sonho, que nenhum despertador inconveniente a acordasse. Ele sorriu com os lábios, entendendo o que aquele olhar queria dizer: libertação, quebra de regras e a certeza de que era o começo de uma história complicada, mas que valeria á pena correr o risco.
E com antecipação correndo como sangue em suas veias, os lábios grossos dele encostaram de leve nos dela e os olhos de ambos se fecharam.
Texto escrito em um fim de semana bastante agitado e com rascunho de 24 páginas no celular. Baseado em fatos "quase" reais, ou o mais próximo do que minha mente insana imaginou que fosse real. Os personagens pelo menos são reais, e essa é a prova concreta de que minha mente é perturbada, mas nem tanto. Mas por culpa dele tenho hora marcada na analista, então, se me dão licença...