Um café de Londres, Londres, Inglaterra
Ainda estou procurando a razão pela qual estou aqui.
Achei que seria mais fácil porque já ensaiara as palavras certas. Nada de "Não é você, sou eu!", longe disso. Ensaiei as palavras que julguei que você entenderia. Mas como fui ingênua, não é? Nenhuma palavra faria você entender. Nenhuma palavra me fez entender. Nenhuma palavra saiu da caneta e se jogou, procurando se firmar no papel. Isso só me fez duvidar mais ainda se isso era certo.
Mas, afinal, o que eu ainda tinha pra duvidar?
Não é como se o que tínhamos fosse perfeito. Você não me fazia sorrir, nem nunca me apoiou em nenhuma decisão que eu tomei (embora também não tenha sido contra elas). Você não me fazia sentir-me especial- nunca deu motivos pra que eu pensasse assim-, até porque, eu nunca fui "única".
Por essas e outras mil razões, eu não teria do que duvidar. Mas ainda assim eu duvido.
Pra ser sincera, acho que me acostumei com você. Me acostumei com o seu toque, seu perfume. Com o fato de que você sempre estaria lá, se eu precisasse. Me acostumei com a sua companhia. E só o fato de eu cogitar perdê-la, me fez duvidar de uma coisa que já parecia certa pra mim. Me fez duvidar se te deixar seria certo. Mas você nunca foi meu.
Não pense que falo isso com desdém ou que nunca importou nada pra mim. Mas o fato, concreto, é que eu nunca signifiquei nada pra você.
Eu tentei (e gostaria de dizer que nós tentamos) transformar o que tínhamos em um relacionamento. Mas acho que já comentei que nunca fui única, só me esqueci de comentar que estamos aonde estamos, por culpa sua.
Se eu não consegui mudar a nossa situação, a culpa é toda sua. Porque você nunca me deu segurança, nunca me deu um futuro certo. Eu tentava continuar com o que nós tínhamos (acho que por causa da comodidade), pensando que um dia você perceberia que eu sentia algo por você. Mas, se você percebeu, nunca se importou. Você é um desgraçado por isso.
Metade das coisas que você me disse eu nunca vou saber se foram verdadeiras. O pior, é que eu aposto que não foram. Isso me faz questionar o porquê de você ter mentido tanto pra mim. Mas eu não vou querer ouvir se você resolver me dizer.
Porque eu já tomei a minha decisão. Ela foi tomada lá no ínicio, mesmo que as dúvidas tenham me assolado. Ela foi tomada á partir do momento em que eu percebi que eu era um brinquedo pra você. Eu só estava reunindo coragem pra anunciá-la. E mesmo que você me dissesse o motivo da falsidade sem fundamento (sim, sem fundamento, porque você não precisaria mentir pra mim pra me conquistar), isso não mudaria a minha decisão. Só me faria ter mais raiva de você.
Nos primeiros cinco minutos depois de virar a esquina, eu pensava na merda que eu tinha feito. Por que desistir de você? Por que deixar meu ponto de equilíbrio pra trás?
E nos outros cinco minutos após os primeiros, eu percebi que não tinha feito merda nenhuma. Que você não era meu ponto de equilíbrio; que você podia estar ali agora, mas quem ia me garantir que á qualquer minuto poderia não estar mais? Quem fez merda, foi você. E agora, tem que aprender á arcar com as consequências dos seus atos.
Eu não escrevi essa carta de linhas tortas pra você, a escrevi pra mim. Mas a envio a você pra ter certeza de que finalizei o que nós tínhamos.
O que quer que "tínhamos", se ainda não ficou claro, sinto dizer, acabou.