sexta-feira, 28 de agosto de 2009

I Hate.

    Eu odeio a forma como ela sorri.

    Eu odeio como tudo o que ela faz, me encanta. Desde o seu andar até a forma como fala.

    Eu odeio imaginar ela do meu lado, sempre.

    Eu odeio pensar nela á todo instante.

    Talvez, eu não devesse acreditar nessas minhas suposições precipitadas. Talvez eu devesse me aprofundar mais no assunto. Mas do que adiantaria eu ter certeza dos meus sentimentos, se talvez, eu não quisesse tê-los? Eu ao menos gostaria de saber, o que eu sinto de verdade. Embora, essa perspectiva me assuste um pouco. Tenho medo de não odiá-la. Tenho medo de enganar á mim mesmo pensando coisas que eu nem sei se são reais.

    Seria mentira eu dizer que não tenho medo de magoá-la. Eu seria hipócrita em dizer que nada que diz respeito á ela, me interessa. Ela me inspira confiança, paixão e sentimento. Ela é o oposto do que eu sou. Podem me julgar, eu não ligo. Ninguém sabe ao certo o que cada pessoa sente. Ninguém sabe o que eu sinto. Eu não sei o que eu sinto.

    Meus sentimentos são como nuances. Passam numa velocidade da qual eu não consigo distinguir quais são. Talvez eu esteja errado quanto á isso. Talvez eu apenas não queira descobrir quais são esses sentimentos que habitam em mim. Mas é um risco que eu quero correr. Talvez seja melhor pra ela saber o que eu sinto, ou não.

    Ao menos quero saber porque eu odeio tudo o que ela faz com tal intensidade que me assusta. Porque eu odeio ela em todos os sentidos. Porque eu a odeio e ela sabe disso. Pode ser que a resposta esteja na minha frente e eu apenas não a queira ver. Mas não sei dizer se tal suposição é real ou não. Por enquanto, vou só ficar com o único sentimento que eu sei ser real. E me dirijo especialmente á ela.

Eu odeio amar você.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Coração de papel.

    E lá estava ele. Um coração qualquer desenhado numa folha de papel qualquer. Era pequeno e vermelho, mas era um coração qualquer. Não era um coração perfeito, era até meio torto. Realmente um coração qualquer. Não tinha sentimento, não tinha vida. Era pra mim o mesmo que uma gota num oceano. Nada. Não me faria falta se fosse apagado. Não sairia de mim, mesmo que representasse o coração que batia em meu peito. A pergunta que pairava na minha mente era a mesma que estaria em qualquer uma numa situação dessas. "Por que?". Não sei. Nada de concreto me vinha á cabeça agora. Não tem motivo, não tem razão. Não tem porque.

    Mas eu continuava á encarar o coração vermelho na folha á minha frente. Sem motivo, sem razão, sem um porque formado na minha cabeça, mas a curiosidade em mim, me fazia admirar aquele coração sem vida. Uma imensa vontade de chorar se apossou de mim. Fiquei sem reação. Mas não pude conter as lágrimas que teimavam em sair. Sorri. Sem sentido eu sei, mas tive que sorrir. Me emocionei com um coração bobo? Aquela não era eu.

    Um sorriso estampado no rosto e lágrimas escorrendo pelas bochechas. Aquela definitivamente não era eu.

    Então o que havia acontecido comigo? Sorrindo feito boba enquanto chorava. Idiotice. Estupidez. Infantilidade talvez, não sei dizer ao certo. Uma lágrima solitária caiu do lado do coração, tive medo que manchasse e tirei o papel dali. Medo? Porque sentir medo de danificar um coração idiota num papel? Porque ter medo de estragar isso? É só um coração bobo de papel. Que eu nem ao menos sei o porque de estar aqui.

    A curiosidade tomou conta de mim bem rápido. Tinha que saber quem deixou aquele estúpido coração da papel ali. Aquele coração estúpido que me fez chorar. No papel, não havia remetente ou sequer uma pista. Isso me intrigou profundamente. Do nada, eu olhei pra você. Me encarava de forma preucupada, como se quizesse saber o que eu pensava. Sorri, assim que tive certeza do que eu sentia. Havia descoberto afinal, porque já não tinha jogado aquele papel no lixo. Havia descoberto o porque de ter chorado e de ter sorrido ao mesmo tempo.

    Porque quem me mandou aquele coração de papel, foi você.