quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

"Terminei"



Ultimamente tenho percebido que todos os meus terminei vem entre aspas.
Isso se dá ao fato de que eu tenho o hábito/costume de terminar as coisas sem nem mesmo começa-las. Explico.


Você está distraído, andando no meio de várias pessoas com garrafas vazias na mão e álcool correndo no sangue. Mas então, no meio daquele monte de gente bêbada, você vê alguém que te chama mais atenção do que qualquer outra pessoa – e ela pode estar bêbada também ou não, mas isso não lhe interessa. Vocês já se conheciam, então a conversa flui. E quando você vai perceber, no meio da conversa apareceu uma mão na cintura e depois disso o beijo fluiu tão bem quanto as palavras. Não há mais nada á se fazer depois que o beijo termina. De repente aquilo que não era nada começa á se transformar em alguma coisa, ainda sem nome, porque ainda é nada – mesmo que um nada significativo. E depois de um mês (ou dois, ou nove...), acaba. Acaba tão de repente quanto começou, entre copos de bebidas vazios ou pacotes de chocolate.
Então, o que estava começando á se transformar em alguma coisa, volta ao seu status inicial, se transformando em nada outra vez, como se o ser humano fizesse o processo de evolução de maneira inversa.
E não resta mais nada no peito á não ser algumas lembranças que depois de alguns dias a gente insiste em tentar esquecer (veja bem, eu disse tentar) e aquela sensação estranha no peito. Aquela pergunta que insiste em ir e voltar junto com o seu coração batendo: “o que eu fiz de errado?”.


Espero que depois de eu ter resumido em três parágrafos meus três últimos relacionamentos – que só recebem esse nome porque é isso que eles são, não importa o tempo que duraram -, você tenha entendido o que eu quis dizer lá em cima.
Todos eles terminaram dessa forma abruta, sem nem ao menos começarem direito. E quando eles “terminaram”, eu fiquei me perguntando constantemente o que eu tinha feito de errado. Em todos eles eu fiz essa espécie de ritual. Em todos eles eu achei algum motivo perdido na memória pra que fosse minha culpa.
A maioria era mesmo.
Mas então eu percebi que se terminaram, mesmo que Anne diga que essa não seja a palavra certa pra nenhum deles, e eu discorde, são o tipo de nadas que se não se transformaram em alguma coisa mais do que significativa, foi porque nasceram condenados á serem nadas.

Mas isso sou eu falando agora, daqui á pouco estarei me contradizendo outra vez...

“Não vi necessidade de fazer alarde de algo que não era nada. Ainda não é nada, mais é alguma coisa maior que o nada que era antes”.